9 tendências fitness perigosas para sua saúde

Existem diferentes produtos, suplementos e métodos que prometem perda de medidas, redução do índice de gordura, aumento da massa magra e hipertrofia muscular de forma rápida e simples.

Quem nunca se deparou com equipamentos que dizem dar um abdômen tanquinho em uma semana ou depoimentos de quem supostamente usou um produto e no dia seguinte notou diferenças incríveis em seu corpo?

A personal trainer Karin Ishii, professora da academia Competition, garante: "só por milagre". Isso vale para mudanças repentinas, como sair do sedentarismo em dias, ter uma barriga tanquinho em um mês, definir os músculos em poucas semanas, emagrecer de forma rápida e se tornar profissional em uma modalidade em apenas uma aula.

Apoiar-se em metas altíssimas e promessas que garantam resultados rápidos causa frustração, segundo a profissiona. Isso porque todos os processos envolvendo qualquer atividade física levam tempo e têm resultados diferentes a cada indivíduo. Assim, quando a pessoa adere a promessas falsas, se entristece com o resultado (que não é o prometido) e "abandona os exercícios de vez", retornando ao sedentarismo e até podendo desenvolver problemas psicológicos devido à frustração, como ansiedade, baixa autoestima e depressão.

Pensando nisso, consultamos especialistas e listamos 9 modas fitness que podem ser prejudiciais à sua saúde, além de não terem base científica, e por isso merecem atenção.

1. Treinar com cinta modeladora
A cinta modeladora tem seus benefícios: deixa a cintura mais fina, a postura mais ereta e auxilia a recuperação pós-cirúrgica. Mas utilizá-la durante qualquer treino pode prejudicar sua saúde.

Especializada em Treinamento Personalizado, Nutrição Esportiva e Prescrição de Treinamento para Grupos Especiais, a profissional de educação física Mirian Maria afirma que não há nenhuma comprovação científica de que a cinta modeladora seja responsável por uma diminuição definida da circunferência abdominal. Até mesmo porque essa redução só ocorre momentaneamente. Ou seja, você utiliza a cinta, que coloca pressão no corpo para essa diminuição e, quando tira, alguns segundos ou minutos depois sua circunferência volta ao normal.

Segundo a profissional, o uso prolongado da cinta modeladora, especialmente durante a prática de exercícios físicos, pode:

- Causar atrofia da musculatura do abdômen e da região da coluna lombar
- Comprimir órgãos internos
- Dificultar a respiração

Portanto, não é recomendado o uso deste tipo de acessório durante a execução de atividades físicas. Além disso, o ortopedista e cirurgião Maurício Marteleto comenta que o uso da cinta durante exercícios pode trazer inchaço nas pernas e até varizes.

Em algumas modalidades, como fisiculturismo e levantamento de peso olímpico, são usados cinturões, às vezes confundidos com a cinta modeladora. Os cinturões têm uma base estrutural mais rígida, colocada na região da coluna lombar para dar maior estabilidade à articulação. Isso porque a sobrecarga nestas modalidades é enorme, então, requerem este acessório para maior segurança dos atletas.

Para Helio Fádel, médico psiquiatra membro da Sociedade Internacional de Psiquiatria do Esporte (ISSP), esse anseio das mulheres em usar cinta modeladora com a promessa de que irão emagrecer mais ao malhar "provavelmente vem de falhas em outras tentativas ou da falsa ideia de que a pessoa terá o corpo, a modelagem que tanto deseja. Isso advém da própria dificuldade, tanto das mulheres, como também dos homens, em aceitar a própria anatomia do corpo".

Ele comenta que não à toa muitas pessoas recorrem a cirurgiões plásticos com fotos de artistas desejando aquele formato de corpo sem respeitar a própria estrutura óssea, anatômica e genética.

Assim, as pessoas tendem a se comparar muito com o outro - o que é um comportamento bastante prejudicial. Desta forma, uma famosa que usa cinta modeladora pode influenciar a outra a fazer tal uso sem acompanhamento médico. "Você pode até se motivar pelo outro, mas replicar suas atitudes sem ter orientação profissional não é recomendado", diz.

2. Eletroestimulação
Famosas como Bruna Marquezine, Angélica e Grazi Massafera têm aderido a treinos com eletroestimulação dos músculos. E os homens não ficam de fora: a moda também tem sido praticada pelo jogador de futebol Cristiano Ronaldo e pelo ex-velocista Usain Bolt.

Os adeptos, então, vestem roupas especiais: colocam um colete ou acessórios com eletrodos e recebem cargas de corrente elétrica. A eletroestimulação promete trabalhar até 300 músculos ao mesmo tempo por cerca de meia hora, e é aconselhada por no máximo duas vezes por semana. Apesar de prometer bumbum, abdômen, pernas e cinturas definidos, o uso de correntes elétricas para estimular músculos é contestado por alguns profissionais de educação física.

A personal trainer Simone Leal, especializada em Treinamento com Mulheres, Emagrecimento e Força, afirma que, ao se exercitar, mecanismos internos, relacionados ao sistema nervoso, acusam que está na hora de parar o exercício quando há um possível risco (como uma carga mais alta do que seus músculos aguentam). Seu corpo apresenta fadiga e até mesmo tremedeiras, por exemplo.

Na eletroestimulação, mesmo sendo uma "corrente elétrica com intensidade controlada", é algo intenso e que pode machucar os músculos. O aviso natural do corpo "não funciona quando a contração é gerada por mecanismos externos, o que pode levar o estímulo a uma possível lesão", afirma. Ela comenta que há casos de rabdomiólise (dano muscular que pode danificar diversos órgãos, inclusive os rins) causados por eletroestimulação.

Mirian complementa: "não existe nenhum estudo comprovando que os resultados de treinos com eletroestimulação são de fato mais rápidos do que o treino em academia". Ela afirma que hoje há programas em academias de treinos curtos e intensos, de dois ou três exercícios, e que duram 20 minutos e irão te dar resultados positivos em pouco tempo.

Apesar de haver pesquisas que indicam a importância deste estilo de treino para reabilitação (em casos de lesões musculares ou para pessoas acamadas), profissionais de educação física, como Mirian, realmente colocam em cheque o uso do método em academias. Se a corrente elétrica for fraca, ela será ineficiente. Se ela for forte e sem necessidade para reabilitação, poderá causar lesões generalizadas.

3. Usar agasalhos ao malhar
Se você acha que, ao usar diversos agasalhos ou blusas pesadas para malhar, irá queimar mais calorias, melhor abolir esta ideia. O corpo precisa respirar e agir desta maneira poderá trazer mal-estar.

Eder Rosendo, professor e coordenador da unidade Tamboré da Bio Ritmo, aconselha que sejam usadas roupas leves ao treinar, com tecidos de fácil respiração. Ele afirma que a ideia de usar roupas pesadas para perder peso é totalmente sem sentido.

A personal trainer Mirian Maria concorda: durante o exercício físico, nosso corpo tende a aumentar a temperatura. Para isso, o suor funciona como um mecanismo de defesa, resfriando o corpo. Se você utiliza agasalhos para se exercitar, aumentando ainda mais a temperatura corporal, a tendência é que ocorra desidratação, enjoos, queda de pressão e desmaios.

4. Suar demais para perder gordura
Até existe uma relação entre suar muito e perder peso. Mas a perda de peso não significa necessariamente que você está eliminando gordura.

Segundo Mirian, se você transpira muito durante um exercício físico, ao se pesar na balança após o treino você estará mais leve, mas não mais magro: suar significa perda de água e não perda de gordura.

A personal trainer Simone Leal ressalta ainda que a perda de líquido advinda do suor é logo ganha com a hidratação e alimentação após o treino. "Suar não tem nada a ver com emagrecer", diz.

5. Exercícios com dieta low carb
Muitas pessoas aderem à dieta low carb pela intenção de perder peso em poucos dias. Porém, ao cortar carboidratos das refeições e se exercitar, é muito provável que você sinta fadiga e até mesmo tenha uma notável redução de desempenho.

Isso porque, ao se exercitar, seu corpo precisa queimar carboidratos e gordura para que os músculos tenham energia o bastante para executar cada movimento, aguentando o volume e a intensidade. Ao abdicar dos carboidratos, sua produção de energia também será reduzida.

O mesmo pode ocorrer com qualquer outra dieta restritiva, segundo Mirian Maria, especialista em Nutrição Esportiva. Ela diz que até pode acontecer a perda de peso ao consumir só um tipo de alimento durante um tempo (como proteínas). Só que você não perderá só gordura, mas também líquidos e massa magra, o que é ruim ao corpo.

Ela recomenda fazer uma pergunta a si mesma antes de entrar em uma dieta da moda ou qualquer outra ação que prometa um resultado rápido: "isso é sustentável?". Ou seja: por quanto tempo você conseguiria manter essa ação sem prejuízos à saúde. Se não for sustentável, você perderá muito peso e depois pode engordar novamente - ocasionando o efeito sanfona.

O indicado é uma reeducação alimentar prescrita por nutricionistas. A ideia da reeducação alimentar é que não haja restrição, mas substituição de alimentos. Como trocar industrializados por alimentos naturais e integrais, por exemplo.

6. Abdominal para perder barriga
Durante suas aulas como personal trainer, Mirian afirma que se depara com frequência com alunos pedindo por séries intensas e diárias de abdominal. Tudo para perder as tão indesejadas gordurinhas da barriga.

"As pessoas acham que, quanto mais abdominais fizerem, mais diminuirão a barriga. Não acontece dessa forma", afirma. Os exercícios não têm como foco perder gordura de uma só região; a perda ocorre de forma generalizada, mesmo que algumas pessoas percam mais gordura de um lugar do que de outro.

Além disso, o objetivo do abdominal é fortalecer a região e não eliminar gordura - algo que é feito por exercícios aeróbicos como corrida, caminhada e ciclismo.

Ainda, o abdominal, se feito de forma excessiva, traz problemas à saúde. Sua prática abusiva sobrecarrega os músculos do abdômen, gerando desequilíbrio e dores na região lombar (porque você estará com o abdômen forte, mas a lombar fraca), de acordo com a personal. Por isso, não é recomendado que seja feito diariamente.

7. Treinar como uma celebridade
Se você acompanha famosos no seu Instagram e fica impressionado com os exercícios que eles fazem, use isso para se inspirar - mas nada de imitá-los. Apesar de diversas celebridades compartilharem seus treinos com os seguidores, repeti-los em casa ou na academia sem supervisão pode provocar sérias lesões.

É importante frisar que geralmente esses famosos têm uma rotina de treinos mais intensa e realizam atividades há anos - além de estarem sendo acompanhados por profissionais capacitados, que oferecem exercícios de acordo com seus biotipos e objetivos.

"As pessoas não associam os treinos a um processo de construção, de longo prazo e que é progressivo. Querem ter um corpo definido para agora e não se atém à ideia de que são necessárias etapas, mantendo os exercícios como um hábito", diz o médico Helio Fádel.

Sempre procure acompanhamento de profissionais de educação física e médicos, principalmente se você está começando a se exercitar. Ele dará dicas para que você se movimente de forma saudável (tanto na academia quanto em casa) sem se machucar. O ortopedista Christiano Cinelli ressalta que é sempre importante respeitar os limites do seu corpo.

8. Shakes protéicos
Os shakes protéicos, como o próprio nome diz, são à base de proteína, que têm a função de auxiliar a recuperação dos músculos após atividades físicas. Uma recuperação adequada resulta em músculos mais fortes e um melhor desempenho durante os movimentos.

Com a promessa de serem aliados ao emagrecimento, os shakes têm conquistado pessoas com rotinas aceleradas, que mal têm tempo para parar e comer - ou estão em um local em que não há disponibilidade de outro alimento.

"Mas não se deve viver só de shakes. Se não haverá falta de outros nutrientes na sua alimentação", alerta Mirian, e comenta que os shakes têm, sim, uma resposta positiva para os treinos. Porém, é preciso consultar um nutricionista para que ele adeque sua dieta de acordo com a quantidade de proteínas que o seu corpo precisa.

Se você ingere proteínas em excesso, o corpo irá absorver somente o necessário e descartará o resto. Então, se você investe demais em shakes protéicos e está consumindo mais proteína do que o necessário, você deixará de economizar financeiramente e pode apresentar deficiência de demais nutrientes essenciais ao organismo.

9. Tomar energético antes de se exercitar
Os energéticos são famosos nas baladas e têm sido queridinhos também em academias. Afinal, são bebidas associadas à maior energia e pique para malhar.

Todos os energéticos têm cafeína e alguns também têm taurina, que são substâncias estimulantes e geram essa sensação de "maior energia". Porém, devido a este efeito, não é aconselhado o uso de energéticos combinados a exercícios. Se usada de forma errada e abundante, a bebida apresentará malefícios, comenta Mirian. Pessoas mais sensíveis (como as com hepatite, diabetes e problemas cardíacos ou neurológicos) podem apresentar aumento de pressão, arritmia cardíaca e refluxo.

"É preciso procurar profissionais, como nutricionistas, para uma melhor recomendação de uso de substâncias - sejam elas naturais ou industrializadas", aconselha.

Como combater modas fitness falsas?
"Até há casos de sucesso de pessoas que tomaram ações saudáveis sem acompanhamento profissional. Mas são raros! Porque os modismos fitness podem ser falsos ou necessitam de adaptação conforme as limitações e organismo de cada indivíduo", afirma a personal trainer Mirian Maria.

Para o médico Helio Fádel, esses modismos são crenças assumidas pelo ambiente do indivíduo. Então, é preciso desconstruí-las - em alguns casos, até mesmo com terapia para que a pessoa saiba aceitar seu próprio corpo e entender como trabalhá-lo para atingir metas reais e tangíveis a seu biotipo.

Ambos profissionais recomendam acompanhamento profissional, já que o que está em jogo é a saúde e aderir a modismos sem consultar médicos pode ser bastante prejudicial. Nutricionistas, profissionais de educação física, endocrinologistas e até mesmo psicólogos são indicados, especialmente para reeducação alimentar, prescrição de atividades físicas e análise de hormônios e emoções - que também afetam diretamente a facilidade ou dificuldade em emagrecer.

Fonte: Minha Vida

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