Alimentos processados podem causar aumento de ansiedade, diz estudo

Imagem retirada de https://oncocentrosm.com.br/voce-sabia-que-compostos-em-alimentos-processados-podem-causar-cancer/
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Muitos alimentos processados possuem hoje alguns tipos de aditivos químicos, conhecidos como emulsionantes dietéticos, responsáveis por modificar a textura do produto e prolongar a vida do mesmo na prateleira. Além de serem componente extremamente prejudiciais para a saúde, cientistas descobriram agora que esses ingredientes podem também afetar negativamente alguns comportamentos sociais relacionados à ansiedade, em um teste feito com camundongos.

Os cientistas da Georgia State University também observaram diferenças por sexo nos padrões comportamentais dos ratos, apontando que os emulsionantes afetam o cérebro por meio de mecanismos distintos em machos e fêmeas. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports e conduzido por Geert de Vries, professor de neurociência e vice-presidente associado de pesquisa na Georgia State, e Benoit Chassaing, professor assistente de neurociência.

Em pesquisas anteriores, Chassaing e Gewirtz já haviam mostrado que os emulsificantes podem causar inflamação intestinal de baixo grau, alterando a composição da microbiota intestinal, uma população diversa de trilhões de microrganismos vitais à saúde. A pesquisa ligava o consumo de emulsificante à obesidade, síndrome metabólica e doenças inflamatórias intestinais, como colite, condições cuja incidência aumentou significativamente desde meados do século XX.

Porém, no mesmo período houve também um aumento na incidência de distúrbios comportamentais, como o autismo, levando os cientistas a questionarem se a função cerebral também poderia ser afetada pela exposição às substâncias químicas modernas. "Fizemos a pergunta: os efeitos dos emulsificantes na inflamação sistêmica geral também podem ser estendidos ao cérebro e ao comportamento", disse De Vries. "A resposta foi sim", completa.

Os pesquisadores adicionaram um dos dois emulsificadores mais comuns utilizados na indústria, o polissorbato 80 e o carboximetilcelulose, junto à água potável de camundongos machos e fêmeas. Após 12 semanas, eles observaram que o tratamento com emulsionantes alterou a microbiota intestinal de machos e fêmeas de diferentes maneiras. Eles, então, realizaram testes para entender os efeitos desses compostos no comportamento. Assim, os pesquisadores descobriram que os emulsificantes alteraram o comportamento semelhante à ansiedade em ratos machos e reduziram o comportamento social em camundongos fêmeas.

Entretanto, De Vries destaca que eles ainda não conseguiram identificar o mecanismo exato pelo qual os emulsificantes contribuem para as mudanças comportamentais. "Sabemos que a inflamação aciona as células imunes locais para produzir moléculas sinalizadoras que podem afetar os tecidos em outros lugares, incluindo o cérebro. O intestino também contém ramos do nervo vago, que forma um caminho de informação direta para o cérebro", ele afirma.

Quanto ao que está impulsionando as diferenças entre o comportamento masculino e feminino, De Vries disse que podem haver diversos fatores. Por exemplo, há diferenças sexuais conhecidas no sistema imunológico, que ajudam a disseminar a composição das bactérias no intestino e na maneira como o sistema digestivo processa os alimentos.

Como resultado, "adicionar emulsionantes à alimentação terá diferentes consequências para a microbiota de machos e fêmeas", disse ele. "Nossos dados sugerem que essas mudanças específicas do sexo na microbiota podem contribuir para as diferenças de comportamento sexual".

Os pesquisadores dizem que o estudo acrescenta evidências de que os aditivos alimentares devem ser avaliados quanto ao seu efeito sobre o microbioma, que está ligado a muitos aspectos da saúde humana. De Vries disse ainda que os resultados confirmam que a saúde intestinal e a saúde do cérebro estão interligadas, e que pode haver mecanismos comuns que impulsionam as epidemias paralelas de obesidade, condições inflamatórias do intestino e distúrbios comportamentais.

Fonte: Minha Vida

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