Compare os benefícios e malefícios da carne vermelha

Em reunião na semana passada, em Paris, os ministros da Agricultura do G-20 apontaram uma excessiva concentração da commodity como base do biodiesel brasileiro. "Eles disseram que estamos muito concentrados na soja. Mas eu disse que nós temos uma multiplicidade de fontes, como a mamona, o pinhão-manso e a palma", revelou nesta quarta-feira (29/06) o ministro da Agricultura, Wagner Rossi

Explicação - Acostumado a apontar a cana como uma matéria-prima mais sustentável e econômica do que o milho usado pelos Estados Unidos para fabricar etanol, o Brasil teve que se explicar a europeus e americanos. O questionamento dos países ricos deriva da discussão, ainda não superada nos fóruns internacionais, sobre a concorrência direta entre a produção de matérias-primas para bioenergia e para a alimentação. Os europeus temem um "desvio" de commodities alimentares para a produção de combustíveis. Isso também atua como fator fundamental para balizar os preços da soja, em franca ascensão há vários meses.

Superação - "Disse a eles que este momento vai ser superado sem afetar commodities alimentares. Agora, a soja está mais disponível. Mas somos os maiores produtores de soja do mundo. Hoje, é só uma fração da soja que vai para o biodiesel", justificou Rossi. A preocupação dos países ricos está baseada nos dados do programa brasileiro de biodiesel. Em 2010, 75,22% do biodiesel produzido no país utilizou o óleo de soja como matéria-prima, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mamona, girassol, palma e pinhão-manso não foram listados pela ANP. Outros 20,6% foram feitos a partir de gordura bovina. E 2,4% foram fabricados com caroço de algodão.

Contra-ataque - A censura ao biodiesel brasileiro nasceu como um contra-ataque de americanos e europeus à defesa enfática do etanol de cana feita pelo ministro Rossi nos debates do G-20 Agrícola. "Houve uma tentativa de caracterizar o programa do etanol como uma certa prevenção, limitando e impondo obstáculos", disse ele. "Salientei a diferença entre o etanol do Estados Unidos no milho e o de cana aqui". Rossi afirmou aos colegas que há um "impacto muito pequeno" na questão alimentar em decorrência do uso da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil. "A cana não é um alimento direto. Por isso, o texto final do G-20 foi extremamente leve com o nosso programa (de etanol). Temos preocupação, sim, com o programa dos EUA".

Vitória - Na reunião de estreia do G-20 Agrícola, o Brasil também contabilizou como vitória o fato de ter evitado a imposição de mecanismos de controle sobre os preços agrícolas. A França tentava criar um consenso sobre a necessidade de evitar a forte instabilidade nos preços das commodities agropecuárias. "O presidente Sarkozy fez uma carga pelo controle de preços, retomou a tese da resposta à comunidade internacional contra a volatilidade e a elevação dos preços", relatou o ministro. "Mas a posição do Brasil foi muito forte". Rossi informou que, no texto final do encontro inédito, foi "reconhecida a importância do aumento da produção e a busca de um preço de equilíbrio" para enfrentar a questão alimentar.

Posição negociadora - O ministro afirmou que o resultado do G-20 consolidou a posição negociadora do Brasil. "Foi importante não aceitar interferências no mercado, sem penalizar os eficientes. Isso não tem cabimento". O Brasil também evitou, segundo Rossi, a imposição de controles sobre instrumentos financeiros, alcançou compromisso dos países em abrir informações de produção global, ajudou a criar ambiente para alertas de crises alimentares e estoques humanitários de emergência, assim como avançou nos entendimentos com a União Europeia para, em vez de questionar seus subsídios agrícolas, aumentar a fatia do Brasil nas importações de € 120 bilhões.Poucos alimentos têm sido tão atacados nos últimos anos como a carne vermelha. Mais famosa por ser fonte de gorduras e colesterol do que pelos benefícios que traz ao organismo, ela foi tirada do cardápio de muitas pessoas que procuram perder peso e ter uma alimentação mais saudável. Mas, segundo muitos especialistas, cortar esse alimento da dieta sem antes procurar um nutricionista é um erro. "A carne vermelha é fonte de todas as proteínas e os aminoácidos essenciais para o nosso corpo. Ela não tem um substituto único e contém vitaminas que não são encontradas em nenhum outro alimento. Por isso, as pessoas devem pensar duas vezes antes de cortá-la da dieta", explica o nutrólogo Wilson Rondó, autor do livro "Sinal Verde para a Carne Vermelha".

De acordo com o especialista, uma alimentação saudável é aquela que traz um equilíbrio entre os micronutrientes, ou seja, vitaminas e minerais, e os macronutrientes, como gorduras, proteínas e carboidratos. Fechar a boca para alimentos ricos no último grupo, como a carne vermelha, pode até fazer mal ao organismo. Compare os prós e contras:

Prós
De acordo com o endocrinologista Fillipo Pedrinola, especialista do Minha Vida, a carne vermelha contém inúmeros nutrientes que, se forem consumidos na medida certa, são importantes para o bom funcionamento do organismo. "Uma alimentação balanceada deve conter grande variedade de alimentos, incluindo carne branca, vermelha, peixe, laticínios, frutas, vegetais e grãos", explica.

Dentre todos os nutrientes encontrados na carne, os que ganham papel de destaque são as proteínas. Elas são consideradas completas, pois contêm os nove aminoácidos essenciais. Uma quantidade de 100 gramas de carne magra - com menos gordura - contém por volta de 20 a 30 gramas de proteína, o que equivale a, aproximadamente, 50% das necessidades diárias de um ser humano adulto.  

Para quem pratica exercícios físicos, ficar sem comer carne vermelha pode atrapalhar o treino, já que ela é fonte de diversos nutrientes que melhoram o desempenho muscular, como a mioglunulina - que promove o transporte de oxigênio para os músculos -, o ácido linoleico - que ajuda a perder peso e promove a perda de gordura - e a creatina, que ajuda a restaurar ATP após o esforço muscular. ATP é um tipo de molécula produzida durante a respiração celular, que dá energia ao corpo.

Segundo um estudo feito pelo Laboratório de Nutrição e Metabolismo da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, a creatina também ajuda a controlar a taxa de açúcar no sangue elevada em pessoas com diabetes.

Além disso, a carne vermelha também é fonte de mioglobulina, uma proteína que promove o transporte de oxigênio para as células musculares e age como antidepressivo, o que permite exercícios mais intensos e sensação de bem-estar. O alimento ainda é a única fonte de vitamina B12, indispensável para o funcionamento das células nervosas do corpo.

"Por isso, a maioria das pessoas que não comem nenhum tipo de alimento de origem animal, principalmente a carne vermelha, apresentam carência dessa vitamina em longo prazo quando não tomam suplementos vitamínicos", explica Wilson Rondó.  

Contras
Mesmo que a carne vermelha traga benefícios ao organismo, seu consumo deve ser controlado, como praticamente todos os alimentos. "Ela pode liberar algumas substâncias nocivas à saúde se for cozida em excesso ou se for de procedência duvidosa", explica o nutrólogo Wilson, que afirma que a melhor opção de carne sempre será a que foi tirada de um gado criado em pastagens naturais e orgânicas.

Um estudo publicado pela revista Archives of Internal Medicine demonstra que quem controla o consumo de carne vermelha e carnes processadas vive mais. A pesquisa acompanhou por dez anos mais de meio milhão de pessoas com idades entre 50 e 71 anos. As pessoas que mais ingeriam carne vermelha (média de 62,5g em uma dieta de 1000 Kcal por dia) foram as que apresentaram maior mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer, quando comparadas a aquelas que ingeriam menos carne vermelha (média de 9,8g / 1000 Kcal por dia).

Os malefícios desse alimento estão mais ligados ao seu consumo excessivo, ou ao exagero da escolha de cortes muito "gordos", que contêm grande quantidade de gordura saturada que, por sua vez, está associada ao aumento dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do risco de câncer. As carnes vermelhas ainda possuem compostos carcinogênicos que, se consumidos em excesso, aumentam as chances de câncer de intestino e próstata.

Fonte: Minha Vida, por Fernanda Menezes

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