Emagrecer comendo mais: conheça a dieta volumétrica

Quem vive de dieta já está cansado de experimentar as mais diferentes novidades da área e acabar sempre com a mesma sensação: mau humor e fome. Pensando em resolver este problema, a nutricionista americana Barbara Rolls apoiou-se em uma série de pesquisas e, como resultado, publicou o livro "A dieta volumétrica - Perca peso comendo mais", lançado pela Editora Best Seller em março de 2011. Depois da análise, Barbara concluiu que sim, é possível diminuir o manequim sem passar fome.

A base da dieta é bem simples, apoiada essencialmente na inclusão de uma quantidade maior de água e fibras na alimentação. Mas engana-se quem pensa que beber água é a chave para a diminuição do apetite. Na verdade, Barbara sugere que as pessoas façam escolhas inteligentes à mesa e passem a incluir no menu alimentos ricos nestes dois componentes - o que, segundo ela, traz a sensação de saciedade com calorias reduzidas.

Por isso, a dieta volumétrica prioriza alimentos como frutas, grãos cozidos, vegetais, carnes magras, aves, peixes e feijões; e exclui as opções ricas em gordura, como batata frita, ou alimentos muito secos, como biscoito tipo cracker.

Prós e contras
Para Elaine de Pádua, nutricionista do ambulatório da Saúde da Mulher da Unifesp, um dos pontos positivos da dieta é que, diferente das tradicionais, ela prioriza o volume satisfatório, uma vez que alimentos ricos em água e fibras saciam por mais tempo. "Consequentemente, a pessoa come menos, e os alimentos não são tão calóricos. Quando a pessoa se sente saciada, não vai atacar uma barra de chocolate com compulsão, que é o grande problema das dietas restritivas", ela explica.

Por outro lado, a especialista alerta que a pessoa que deseja investir nessa dieta tem que ter muita disciplina, e, além disso, gostar de variedade: "Quem optar pela volumétrica tem que gostar de vários tipos de legumes e frutas, para não cair na monotonia. Como é uma dieta que prioriza muito os alimentos naturais, ela também pode ser um pouco mais trabalhosa."

Já a nutricionista Roberta Elisa Ribeiro Guerreiro, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, não concorda muito com o mote da dieta - "Perca peso comendo mais": "Lendo o slogan sem conhecer a dieta, a pessoa pode entender que pode comer qualquer alimento em qualquer quantidade e que mesmo assim, perderá peso e isso não é verdade, além de trazer danos à saúde", ela reforça.

Para Roberta, a dieta é prática porque não exige contas muito elaboradas, mas apresenta restrição drástica de alguns alimentos mais calóricos: "O correto seria o consumo consciente e adequado destes alimentos. Um exemplo de alimento que pela dieta volumétrica seria excluído é o azeite, que apresenta uma alta densidade energética, mas é altamente benéfico à saúde", afirma.

Segundo Roberta, a dieta não é recomendável para quem deseja melhorar a alimentação com equilíbrio: "Cada pessoa tem uma necessidade específica de nutrientes e as dietas em geral não atendem estas necessidades", ela observa.

A nutricionista Elaine, no entanto, acredita que a dieta volumétrica é uma opção saudável, não sendo indicada apenas para idosos ou pessoas com histórico de anemia: "Como a volumétrica inclui o aumento de fibras, isso pode interferir de forma negativa na absorção de alguns minerais, como o ferro, no caso das pessoas anêmicas, ou o cálcio, necessário para a saúde óssea dos idosos."

Dieta restritiva x Dieta volumétrica
Elaine reforça que a volumétrica é mais eficaz do que as dietas restritivas, que são pautadas pelo cálculo metabólico basal, ou seja, quanto o indivíduo gasta em repouso versus quanto ele deve consumir. "Como o corpo passa a receber menos calorias, as células ficam mais econômicas e passam a estocar energia. Com isso, o metabolismo desacelera e aí vem o acúmulo de gordura. O gasto energético acaba sendo influenciado por uma quantidade limitada de alimentos."

Ela avalia que a perda de peso varia muito de acordo com o organismo mas que, de um modo geral, a pessoa que seguir a dieta volumétrica à risca poderá perder até um quilo por semana, totalizando quatro ao final do mês: "Perder um quilo por semana está de bom tamanho. As pessoas se encantam com essas dietas que prometem a diminuição de até dez quilos, mas elas se esquecem que a perda de peso também significa perda de massa magra e, com isso, o gasto de energia acaba caindo também", finaliza.

Escolhas inteligentes, sabor garantido
A nutricionista Barbara deixa claro no livro a questão das escolhas alimentares, tanto na quantidade quanto na qualidade dos pratos que vão pra mesa. Como a ideia é inserir alimentos com volume de água mais elevado, ela sugere que a pessoa sempre troque os secos pelos mais úmidos, o que ela chama de "refeições mais volumétricas".

Ensopados, cozidos, sobremesas à base de frutas e massas com vegetais são algumas delas, sempre com foco na redução da gordura e no aumento de água e fibras. Como fonte de inspiração, o Terra selecionou uma dica de almoço sugerida pelo livro.

Receita da dieta: Batata assada com brócolis e queijo
- Batata assada: cubra 1 batata assada com 1 colher (chá) de manteiga (ou margarina em tablete, macia), 1 xícara de brócolis levemente cozidos (no microondas por 2-3 minutos) e ¼ de xícara (30gr) de queijo cheddar com redução de gordura.

- Salada mista: combine duas xícaras de alface, ¼ de xícara de pepino fatiado e ¼ de xícara de cenoura ralada. Regue com 2 colheres (sopa) de vinagrete de tomate e ervas, molho Ranch cremoso de pepino ou cerca de 40 calorias de um molho para salada industrializado.

Cerca de 40 calorias de frutas: ¾ de xícara de framboesas, 1 pêssego, 1 ameixa ou 1 xícara de morangos.

Fonte: Terra (imagem: Getty Images)

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